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Busca de Visão


A preparação para a cura requer um período especial de jejum, oração, renúncia, agradecimentos, sacrifício, exercícios devocionais. O propósito é vencer as paixões da carne e fortalecer o espírito. A abstinência e o rigor físico limpam o corpo e a concentração mental purifica a mente, alinhando assim a matéria e o espírito. Desta forma a mente individual pode entrar em contato com o poder de cura do Grande Espírito.


[ Wooden Leg (séc. 19) Xamã Cheyenne ]


A Grande Visão

“Em termos práticos - A Grande Visão -  é uma cerimônia de quatro dias e quatro noites, em que homens e mulheres se dispõem a jejuar, meditar, orar de maneira “solitária” em um espaço sagrado na montanha, em busca de si mesmo”  

É importante que em algum tempo, a gente implore uma visão. Que vá ao topo do universo, a uma montanha onde encontre o ninho do condor e da águia. A uma montanha onde a gente encontre a presença dos nossos antepassados no encontro com a gente mesmo. É nossa responsabilidade também sonhar e ter uma visão para transmitir aos nossos filhos, o compromisso de prever que nossa Mãe Terra esteja em melhores condições e se possa continuar a tradição de nossos antepassados, dos quais somos herdeiros, carregadores e guardiões.
A busca da Visão é um momento da vida onde a gente se encontra nascendo no ventre da Mãe Terra, de alguma maneira, no umbigo dela. É uma oportunidade para rezar e agradecer à vida, e de alguma maneira, para poder dar-lhe uma ordem, um equilíbrio, uma perspectiva que possa deixar um benefício, para melhorar a atitude e a nossa condição como ser humano, ao tomar consciência de utilizar uma forma positiva e correta da nossa própria existência. É uma oportunidade para pedir ajuda, compreensão; uma visão do Grande Espírito para poder servir a nossa gente, e ter as instruções concretas do uso positivo da relação com nossa própria família, e o respeito ao Mistério, do qual todos somos parte e poder assumir uma responsabilidade no papel que nos corresponde.
Tratamos de fazer este espaço para levar as pessoas para que se conheçam e que se encontrem, diante a natureza e diante a presença do Sagrado. Um espaço onde se possa respirar e sentir a própria presença do Grande Espírito.
Esta oportunidade nos possibilita ver como se fecha um ciclo, encontrar respostas às nossas perguntas; entregar-se à Montanha, entregar a nossa vida para que o Ensinamento desça sobre nós, e o espírito da Montanha penetre em nosso interior.
No princípio da Busca da Visão, nossos antepassados se deram conta da importância da observação, do poder de escutar e de levar um bom propósito. Para tanto se usa um cordão de tabacos no qual está incluído o propósito da pessoa, a sinceridade, a humildade, a integridade, a disponibilidade e a vontade. De um novo ciclo de vida.


A GRANDE VISÃO COMO CAMINHO

A Jornada de Busca de Visão como caminho oportuniza ao buscador não só um momento de entrar em contato com sua natureza, sua essência e o Todo. Mas também uma jornada de ensinamentos junto a Montanha e as Quatro Direções Sagradas.  De compor esta família de montanha auxiliando e apoiando após seu ciclo junto ao Conselho da “ Grande Visão” e seus Clãs.
A Grande Visão é composta de quatro anos de montanha (quatro anos de quatro dias), onde a cada ano, além do proposito pessoal, o buscador estará imerso no movimento da Roda da vida e suas Forças.
No 1º ano de jornada, o principio, as forças do Leste estarão latentes favorecendo a visão e o vinculo espiritual, foco e objetivo. É o momento de rever as crenças limitantes e os velhos padrões que já não são mais necessários para que se possa desempenhar uma boa caminhada e poder ver com clareza através da Fé e recobrando o brilho no Fogo do Espirito. O início, onde se reafirma o proposito de ingressar neste lindo caminho de reencontro com o SER , junto ao Avô Fogo e a Montanha. E ao longo do ano que se segue sustentar suas Visões.
No 2º ano de Jornada, o regresso a montanha reaviva seus propósitos que são sentidos e amparados pelas forças do Sul. Momento de purificação e cura de tudo aquilo que ainda pode estar obstruindo o caminhante rumo a seus sonhos, estabelecendo um sentir mais pleno. Aprendendo com a fluidez das Águas a adaptação e o movimento constante, reconhecendo suas superficialidades e profundidades. Momento de olhar para os medos e transforma-los em aliados. No sul esta a motivação através das emoções e os ensinamentos para nutrir as boas relações internas e externas.
No 3º ano de jornada, as forças do Oeste se fazem mais presentes apresentando dois movimentos. Momento de introspecção, de reencontro consigo mesmo - sua natureza e sua essência - a grande caverna da ursa se revela e o convite esta feito para desvendar seus mistérios. E é também o tempo de entrar em contato com seu próprio poder, sendo que o poder são nossos dons, capacidades, habilidades e recursos que dispomos para servir ao Grande Espirito e aos demais seres e assim cumprir um propósito nesta Terra. Os ventos desta direção sopram e nos ensinam a “ter poder com” e não “sobre”, e ainda assim ser firme, amoroso e conhecedor do próprio Espaço Sagrado.
No 4º ano de jornada, a culminação e reconhecimento surgem com maior clareza através do discernimento. Culminação de um ciclo e inicio de uma nova jornada e o reconhecimento do caminho já percorrido e das possibilidades que hão de vir, reconhecimento de novos valores, reconhecimento da possibilidades de auxilio aos que ainda vão trilhar este caminho. As forças do Norte apresentam se com toda sua sapiência mostrando que somente é sábio aquele que sabe como manifestar seu conhecimento e proposito em prol do bem comum. Partilhar e agradecer são latentes o Ar se movimenta de tal forma que existe a possibilidades de manifestar tudo o que ainda não foi, através da sabedoria.
"A Grande Visão" é uma cerimônia conjunta do Sítio Holístico Terra Cristal e do Clã Lobos do Sul. Em 2018, encaminha se para 18º jornada de busca de visão.  


Guias de Montanha: Antônio Cesar Caetano Reynakoruna e Rafael Dusik
Contato e informações: (51) 3542-9023 / 99966-0200 / 99639-4428





Fragmento do livro Black Elk Speaks - Busca de Visão


A Imploração da Visão, igualmente à purificação na itipi, já era praticada muito antes do Tchanunpa chegar à Terra. Este tipo de oração é muito importante; é, de certo modo, o centro de nossa religião e graças a ela temos recebido muitos favores, tais como estes quatro grandes ritos: A Dança do Sol, O Parentesco, A Preparação da Menina, O Lançamento da Bola. Todo homem pode implorar uma visão, pois que antigamente, homens e mulheres imploravam constantemente. O que assim se obtém depende em parte do caráter de quem implora; de fato, só os homens verdadeiramente qualificados recebem as grandes visões, e estas são rapidamente interpretadas por nossos homens santos (Witchashawakan); dão força e saúde à nossa tribo. 


Quando alguém deseja implorar, é muito importante que peça a ajuda e os conselhos de um homem santo, Witchatchawakan, a fim de que tudo se cumpra de uma forma correta, porque se as coisas não são feitas segundo as regras, pode acontecer alguma desgraça; poderia, por exemplo, aparecer uma cobra e se enrolar no implorante. Todos já devem ter ouvido falar de nosso Grande Chefe e Xamã Tashunka Witko, Crazy Horse; mas provavelmente não sabem que seu grande poder lhe vinha, sobretudo, da Imploração da Visão, que praticava várias vezes ao ano, inclusive no inverno, com um clima muito frio, muito duro, com muita neve. Recebeu as visões do Penhasco, da Sombra, do Texugo, do Cavalo que Empina, daí seu nome, do Dia, e também de Wambligleshka (Spotted Eagle, Águia Pintada; e recebeu de todas estas visões muito poder e santidade. 

Muitas razões podem induzir o homem a se retirar ao cume de uma montanha para implorar.!!! Alguns tiveram visões quando eram crianças e sem esperar; neste caso, vão implorar para compreendê-las melhor. Imploramos também quando desejamos aumentar nosso valor com vistas a uma grande prova, como a Dança do Sol, ou para nos preparar para partir pelo caminho da guerra. Às vezes se implora para pedir algum favor a Wakan Tanka, como a cura de um parente; imploramos também para dar graças a Wakan Tanka por algum dom que nos concedêra. Mas a razão mais importante para implorar, é, sem dúvida, que Wakan Tanka nos ajude a dar conta de nossa unidade com todas as coisas, a compreender que todas as coisas são nossos parentes e então, em seu nome, pedimos ao Grande Mistério que nos dê o conhecimento de Si mesmo, Ele que é a fonte de tudo e que é maior que tudo. Nossas mulheres também imploram, depois de se purificar na itipi; outras mulheres as ajudam, mas elas não vão a uma montanha elevada e deserta; se retiram para uma colina do vale, porque são mulheres e necessitam segurança e proteção. 

Quando um índio deseja implorar, vai com um Tchanunpa cheio até um Homem Santo (Witchashawakan); entra em sua tipi sustentando a haste com a mão direita e se senta na frente do ancião que será seu guia. O implorante põe o Tchanunpa no solo com a haste apontada para si, porque é ele quem deseja adquirir o Conhecimento. O Witchashawakan eleva, então, as mãos para o Grande Espírito e depois para as Quatro Direções, e pegando o Tchanunpa pergunta ao implorante o que deseja. "Desejo implorar e oferecer meu Tchanunpa ao Grande Espírito. Tenho necessidade de Tua ajuda e de Teus conselhos, e desejo que envies uma voz por mim às Potências do Alto." 


A que o ancião responde: "How! Hetchetu Yelo!"

(extraído do livro Black Elk Speaks 
 publicado pela primeira vez em 1932 pelo historiador John Neihardt)